Gestão de Energia: Promovendo uma Transição Energética Integral

Possibilitando uma transição energética integrada

O sistema energético atual caracteriza-se pela produção e pelo armazenamento descentralizados de energia renovável, em que gradualmente desaparece a distinção rígida entre produtores e consumidores, e a norma passa a ser a disponibilidade variável das fontes de energia. Essas características introduzem novos desafios para as redes e para a operação do sistema.

À medida que avançam as energias renováveis, cresce a necessidade de reorganizar e digitalizar a distribuição de eletricidade de modo a maximizar seu aproveitamento e tornar seu uso mais eficiente.

Nesse contexto, ganham relevância e expandem-se as soluções de gestão de energia. Elas abrangem um conjunto de ferramentas que integram o controle digital à participação no mercado, incluindo programas de resposta à demanda (RD) e automação, usinas virtuais de energia (UVEs) e plataformas agregadoras que reúnem recursos distribuídos, além de mecanismos de contratação de flexibilidade que permitem aos operadores de rede adquirir flexibilidade local. Incluem também, na periferia da rede, sistemas de gestão de energia para residências, edifícios e instalações industriais, muitas vezes combinados com inovações em precificação dinâmica e tarifas definidas pelo varejista. Somam-se a esses elementos a medição inteligente e a infraestrutura avançada de medição (no Brasil, o SiBMA), bem como plataformas de dados de medidores, ferramentas de integração e orquestração de recursos energéticos distribuídos, carregamento inteligente de veículos elétricos (por exemplo, em pátios e garagens, além de novos casos de uso como Veículo+Rede e Veículo+Tudo) e a otimização de sistemas híbridos fotovoltaicos com armazenamento. No âmbito da rede, a base operacional de um sistema mais flexível e descentralizado é composto de gestão e automação avançadas, gêmeos digitais, previsão e análise baseadas em IA, além de soluções de cibersegurança e resiliência.

Historicamente, essas soluções evoluíram a partir de origens distintas, e não de um mercado único. Tiveram início com sistemas de controle industrial e de redes elétricas, bem como com a automação predial voltada à confiabilidade e ao conforto, expandindo-se nas décadas de 1990 e 2000 para aplicativos de medição, submedição e monitoramento de energia com foco em eficiência. Com a adoção de medidores inteligentes e do SiBMA, aliados ao rápido crescimento dos recursos distribuídos (fotovoltaica, baterias e carregamento de veículos elétricos), a gestão de energia deixou de se basear apenas em leituras e passou a incorporar otimização em tempo real e controle remoto. Nos últimos dez anos, mudanças nos acordos do mercado de flexibilidade aceleraram ainda mais a transição para a agregação e a participação automatizada por meio de modelos de RD e UVEs.

Indicadores globais mostram que a gestão de energia vem se expandindo rapidamente, acompanhando a digitalização das redes elétricas e o crescimento dos recursos energéticos distribuídos. A Polaris Market Research prevê que o mercado global de redes inteligentes atingirá US$ 344,59 bilhões até 2034, indicando uma forte taxa de crescimento anual composta (TCAC) de 16,7% entre 2025 e 2034. Isso aponta para um volume expressivo de investimentos em infraestrutura de redes digitais, automação e plataformas facilitadoras. A Fortune Business Insights estima que o mercado de medidores inteligentes de eletricidade alcançará US$ 27,17 bilhões em 2025 e chegará a US$ 48,04 bilhões até 2034 (TCAC de 6,28%), refletindo ciclos contínuos de implantação e substituição que ampliam a base de utilizáveis em inovação tarifária e flexibilização das operações. Ao mesmo tempo, aceleram-se os segmentos de alto crescimento ligados à monetização da flexibilidade: a Mordor Intelligence prevê que o mercado de UVEs crescerá de US$ 5,01 bilhões em 2026 para US$ 16,61 bilhões em 2031 (TCAC de 27,08%).

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